O Quarto de Daniel

“Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém e ali fez o que costumava fazer: três vezes por dia ele se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus.” Daniel 6.1

Quem era Daniel?

Daniel, um homem inteligente, sem defeito físico, culto, de boa aparência, que dominava os vários campos de conhecimento, sendo dez vezes mais sábio que os magos e encantadores do rei. Era ousado, conhecia o poder de Deus, se separava das coisas do mundo, era obediente à Deus, fazia as coisas com excelência. Sabia interpretar sonhos e visões. Um homem exemplar, mais ainda sim humilde. Um homem cheio de capacidades, mas ainda assim dependente de Deus. Um homem que buscava o Senhor com intensidade e disciplina.

Se formos analisar a situação de Daniel, não era nada fácil. Ele foi levado para o cativeiro num lugar desconhecido, sendo obrigado a deixar sua terra natal, sua família, seu conforto. Não teve escolha! Certamente Daniel não era pobre, mas sim possuía no mínimo uma boa condição de vida. Era da linhagem real, e sua inteligência demonstra que teve uma alta educação durante sua vida. Será que foi por acaso? Não, Deus sabia que um dia ele estaria perante reis e precisaria utilizar-se de bons modos e intelectualidade para glorificar o nome do Senhor. Deus o estava preparando, Deus o estava moldando para um propósito maior que tinha adiante.

Há vários aspectos que pode-se admirar, estudar, falar sobre Daniel. Mas um muito importante é: O lugar secreto que Daniel tinha com Deus. Onde ele poderia ter suas baterias recarregadas? Onde ele poderia encontrar força para prosseguir em meio às lutas e aflições? Onde ele poderia encontrar amor, paz, mesmo distante de sua terra e família? No lugar secreto, lugar de vida, lugar de renovo, lugar de dependência e alimento do Senhor.

Em Daniel 6.10 lemos que, quando Daniel soube do decreto do rei em que ele não poderia orar ao seu Deus, ele correu para sua casa, foi para o segundo andar, e, como sempre fazia, orou ao seu Senhor.  É curioso atentar para os detalhes escritos na Bíblia: o quarto era no segundo andar, tinha janelas que davam para Jerusalém. Lá, todos os dias, Daniel orava três vezes agradecendo ao Senhor. Todo esse contexto nos fala algumas coisas sobre o secreto com Deus:

O segundo andar

Quando buscamos nosso Deus em oração, Ele nos leva a estarmos no andar de cima, à um segundo andar, onde os problemas, as dificuldades ficam no andar debaixo. Elas acabam parecendo insignificantes, pois estamos acima delas, junto com o Senhor. Estamos em outro nível, que não é terreno, mas sim espiritual. Daniel, ao saber do decreto, correu para seu quarto. Ele não foi tirar satisfação com o rei. Mesmo ele estando sobre uma posição elevada no governo, não se achou no direito de questionar a autoridade do rei. Simplesmente correu para o lugar onde poderia ver além das circunstâncias. Correu para ver como o Senhor via tudo aquilo. Correu para Aquele que é a maior autoridade.

As escadas

Como Daniel chegou ao outro andar? Por uma escada, provavelmente!!! A escada exige um esforço nosso. A escada exige eu querer chegar até o fim, onde encontro o próximo andar. A escada fala de disciplina e perseverança. Daniel se disciplinava para orar, para buscar o Senhor. Ele tinha disposição e perseverança de subir as escadas três vezes ao dia, para orar. Tinha necessidade, fome do Seu Deus. E o mais incrível é que a Palavra de Deus fala que ele subia não para pedir ao Senhor, mas para agradecer. Mesmo por situações adversas, ele estava lá para agradecer! Ele é um exemplo de uma pessoa que tinha um coração agradecido, que sabia louvar a Deus independente do problema. Ele sabia que estava num andar superior, acima da tribulação, por isso, podia agradecer.

Janelas do quarto

As janelas que Daniel tinha em seu quarto estavam direcionadas para Jerusalém, sua terra. Lugar onde viveu, onde teve família. Lugar de onde foi tirado à força. As janelas traziam-lhe lembrança da vida que tinha antes, lembrança de pessoas queridas, lembranças que no mínimo geravam-lhe saudade. As janelas tanto ministravam esperança em seu coração, de voltar a Jerusalém, como ministravam dor, por ainda não estar lá. As janelas lembravam Daniel de como Deus agia poderosamente no meio do Seu povo. As janelas não deixavam Daniel esquecer das promessas de Deus para os israelitas.

Quando estamos no nosso secreto com Deus, Ele nos dá janelas. Janelas onde podemos contemplar o cumprimento das promessas de Deus nas nossas vidas, porém ainda não reais no mundo natural. Janelas que geram esperança, que renovam nossas forças, que nos ajudam a perseverar na fé. Janelas que nos dão a visão de algo que não se cumpriu ainda, mas que irá se cumprir.

 Daniel tinha motivos “humanos” para se orgulhar de sua capacidade, intelectualidade, sabedoria e reclamar de ter sido tirado de sua terra. Porém, não deu espaço a essas coisas no seu coração. Ele preferia agradecer a Deus, preferia glorificar o nome dEle, preferia depender do Senhor. E por essa razão, o Senhor o honrava e confiava-lhe mais coisas. E em nenhum momento Daniel achou que poderia prosseguir sozinho… Sempre orava, buscava o Senhor no “seu secreto” para beber da Fonte de sabedoria e conhecimento maior que existe.  Daniel foi um missionário em lugar estranho, onde anunciou a soberania e governo de Deus, levando reis orgulhosos a reconhecerem o poder do Senhor.

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