Retornando ao Propósito da Criação

O segredo (intimidade) do Senhor é para os que o temem (amam); ele lhes fará saber a sua aliança. Sl.25.4

A primeira oração registrada nas Escrituras encontra-se em Gênesis 3.8-13 após a queda do humanidade.

“E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Gênesis 3:8-13

Aqui o Senhor no final do dia vai ate Adão e Eva para “conversar com eles como frequentemente fazia. Nós não temos como saber quanto tempo o homem e a mulher viveram no jardim ate o dia da queda, mas sabemos que era habito do Senhor vir ate eles todos os dias e que o relacionamento que possuíam era pleno em todas as formas de expressões que podemos imaginar. É interessante notar que a iniciativa de estar  junto a nós sempre partiu do Senhor, o homem e a mulher permaneciam no jardim com seus afazeres  e o Senhor vinha ate eles para um tempo de conversa e relacionamento. Pense quão profundas conversas o homem e  mulher tiveram com o Senhor.

Apos a queda encontramos esse primeiro registro, o primeiro dialogo entre Criador e criatura. Devido ao fato que o Senhor em seu pleno conhecimento já sabia que homem e mulher haviam desobedecido sua ordem de não comer do fruto da arvore do bem e do mal,  note que Senhor não vai ate eles como um vingador e julgador. O homem e a mulher escutaram a voz do Senhor pelo jardim (vs. 8) e se esconderam. A primeira oração/conversa registrada revela-nos o coração do Senhor. Um coração que se interessa em saber onde estamos, o que sabemos e o que fazemos (vs. 9-13), esse é o caráter do Deus que se preocupa conosco e com nossa situação. A oração/conversa sempre tem duas vias e uma retorno, a via do céu: onde o Senhor deseja manter um intimo contato com sua criatura; a via humana: onde expomos nossas fraquezas e tentamos nos aproximar novamente do nosso Criador  e a resolução: a resposta redentora do Criador diante da fraqueza humana. Isso é exatamente o que presenciamos nesses versículos: o homem falha, Deus o procura; o homem se esconde, Deus o acha; o homem ora/conversa, Deus o julga e concede a redenção para sua falha.

A Primeira Oração – Revela o coração do Pai em estar com o homem não importando a situacao que ele se encontra.

Depois da desobediência no Éden, o fruto da desobediência começou a aparecer, uma serie de consequências levaram rapidamente a humanidade a um nível de depravação e desonra ao Criador, resultando na morte de Abel por seu irmão Caim (Gn 4. 1-17), seguindo da promiscuidade de Lameque e suas duas mulheres e outros assassinatos ocorridos também pelas mãos de Lameque. (Gn. 4.19; 4.23-24).  Não temos como especificar precisamente os anos que se passaram  em todos essas historias, mas sabemos que a humanidade entrou num processo “precipício a baixo”  de depravação e distanciamento do Senhor. Certamente nesse período a humanidade se manteve distante do Senhor e a conversa/oração também provavelmente era escassa. Nesse contexto nasce o primeiro grupo de “buscadores”, o primeiro ajuntamento.

Em Gênesis 4.25 e 26, nos é apresentado o relato: “ foi nesse tempo que os homens começaram a invocar  o nome do Senhor” esse texto refere-se a historia de Sete e seu filho Enos.  Sete foi o filho de Adão, considerado o filho em lugar de Abel. Nos anos do nascimento de Enos, filho de Sete os homens passaram a desejar retornar ao Criador.

Essa passagem: indica que Sete foi o precursor das reuniões comunitárias, de adoração, ensino e celebração ao Senhor Deus da Graça

É interessante que as escrituras nos mostram a diferença entre as duas sementes de Adão, tanto Lameque como Enos são netos de Adão e podemos notar a gritante diferença no DNA espiritual dessas duas linhagens.

Caim e Lameque é a figura de uma linhagem caída, que proclama em alta voz seus atos pecaminosos e criminosos, independente do Senhor, buscando apenas seus próprios interesses e achando que pode se livrar  da justiça divina.

Sete e Enos é a figura de uma linhagem remanescente, sincera, consciente da sua falibilidade e portanto, humilde e devota ao Senhor. O nome Enos significa “ homem feito de barro”, exatamente o mesmo significado do nome Adão, isso nos mostra o reconhecimento desses homens sobre a necessidade do Criador.

O significado do nome de Enos é muito importante nesse contexto, pois os nomes judaicos revelavam muito mais do que um caráter, os nomes demonstravam como que um termômetro do que estava ocorrendo no coração dos homens.

Prova disso são dois exemplos poderosos, um com Icabode que significa “foi-se a gloria de Israel”,  Icabode recebeu esse nome apos a morte de seu pai, de seu tio e de seu avo no mesmo dia, assim como a perda da arca da aliança para os filisteus e por fim a morte de sua mãe e outro exemplo com João, o Batista, quando ele nasceu seu pai Zacarias não podia falar, pois ficara mudo como uma sinal da palavra do Senhor a respeito do nascimento de seu filho, quando então João nasce, os familiares, fazendo uma leitura da situacao acreditavam que o menino receberia o nome de algum familiar ou ate mesmo o nome do pai, mas Zacarias revela seu coração, chamando seu filho de um nome completamente diferente, demonstrando assim uma nova estacão, algo alem da tradição da época.

Lameque e Enos viveram em épocas semelhantes, vieram de descendência similar, mas tomaram rumos completamente diferentes.

Sete foi o precursor da busca ao Senhor num momento onde a grande maioria estavam distantes do Senhor. Ele estava desejoso de retornar a origem da criação, retornar ao Éden, ao relacionamento e a pratica da oração/conversa com o  Abba Pai.

O primeiro ajuntamento – revela o desejo do homem em retornar ao Senhor e responder ao desejo do Senhor

Quando estamos fascinados por algo, seja la o que for, o alvo de nossa fascinação não sai de nossa mente, de nossa boca e o que mais desejamos e estar exatamente no lugar onde isso se encontra.

Ainda em Gênesis vemos a primeira pessoa que fez do Senhor sua busca, sua perseguição e seu alvo acima de qualquer coisa. Uma historia curta com um fim inesperadamente glorioso.

Quatrocentos e noventa e dois anos, 7 gerações apos o nascimento de Sete, pai de Enos, presenciamos a historia de Enoque (Gn. 5.18-24), um homem sem grande historia, sem feitos realizados, porem completamente absorvido, envolvido no Senhor.

Se percorrermos todas a escrituras não encontraremos em ninguém (com exceção de Elias) tamanha intimidade a ponto do Senhor o querer para si.

Enoque viveu 375 anos, e as Escrituras diz que ele andou com Deus sendo tomado pelo Senhor e vencendo a morte no período da lei.

Ha apenas mais três relatos em toda a Escritura a cerca de Enoque. Em Lucas 3.37 na genealogia de Jesus do ponto de vista de José, em Hebreus 11.5 listado como um dos heróis da fé e obtendo testemunho diante de Deus. Aqui é interessante pois aquele versiculo que tanto falamos a respeito de que “sem fé é impossível agradar a Deus” refere-se a esse testemunho de Enoque antes de sua transladacao e em Judas 14-15, onde é apresentado uma profecia dele. Agora pense comigo, Enoque viveu no inicio do antigo testamento e sua intimidade com o Senhor o levou a desvendar o coracao do Pai para o fechamento da historia da humanidade, Enoque profetizou acerca da segunda volta de Cristo.

O nível de intimidade que andou Enoque e o que ele viu do Senhor nos anos que estava nessa terra não são nem de longe possíveis de imaginar ou compreender. Um homem que fascinou o coração do Senhor.

Essas situacoes se repetem em toda a Escritura. Deus, como Pai e Criador sempre esta procurando estar com seus filhos.

Fomos criados para saciar o desejo do Senhor em se relacionar conosco.

 Somos chamados a responder ao desejo do Senhor, reconhecer que dependemos Dele e nao passamos de barro, dessa forma atraimos o coracao do Pai e o encontraremos em gloriosa intimidade.

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